Perde-se em algum lugar do espaço o que de mais puro eu havia guardado. Contorce-se violentamente até não caber mais em si, quebra. E eu sou assim mesmo, assumo a culpa por não saber dar a segunda chance. Por não poder, por nunca conseguir. Não lembro de ter prometido mudar. Dói saber que hoje você só faz mal, gratuitamente e propositalmente. Causa-me náuseas intermináveis, agride-me com as maiores pedras que por ventura cruzaram o teu caminho. Arranha-me a pele, machuca-me a alma. Escolhe então as mais duras palavras e as arremessa contra mim, enquanto destrói qualquer resquício de sentimento que tenha esquecido-se de morrer. Artilharia pesada, pelo simples prazer em travar uma batalha. Vai, caminha pra bem longe daqui. Dê o maior número de passos que puder sem olhar pra trás. Leva contigo toda a verdade, a mesma que você deixou escorrer por entre os teus dedos sujos de uma culpa. Nem o peso da injustiça será capaz de me parar, de me cansar, de me questionar quanto aos meus próprios valores. Nem o gosto da maquina da impunidade irá amargar os mais ensolarados dias. Não guardo mágoa, não sinto rancor. Não sinto mais nada.
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