sábado, 30 de abril de 2011
Fica o fantasma, quando o concreto se vai.
Quando tento de ti me aproximar em sonhos, é que acabo surgindo em outros lugares, cada vez mais distantes de onde quero estar. Pergunto-me o porquê dessa indesejada distância e, antes de terminar o questionamento, eis que te visualizo a uma distância enorme, que eu não saberia quantificar. De muito longe, passo a acompanhar com os olhos o rumo dos teus pensamentos pelo céu escuro de estrelas escondidas pelas luzes de postes e prédios. Eles chegam até mim e desviam no último momento. Sobrevoam, dão voltas ao meu redor, sopram sussurros pela minha nuca, mas nunca encostam em mim. Fogem ao meu toque, escorregam por entre meus dedos... teus sonhos não são meus. A madrugada avança até que um desses espectros pára de repente ao meu lado, e me chama pra passear. Dentro do teu sonho, voando na velocidade da luz até o teto do teu quarto, onde pairo a centímetros da tua face, respirando baixinho pra não te acordar, eu fecho os olhos. O telefone toca me acordando, fim do meu sonho. Não é ninguém. Estou muito mais perto de ti, agora, mas entre nós ainda existe uma centena de paredes, uma dezena de dúvidas e uma só saudade. Samuel Costa (Hellen Top)
sábado, 23 de abril de 2011
I will always love you.
Corroe-me a vida como um cancer. Acaba comigo, em pouco tempo, tira meus animos do sério. As vezes tenho a mais pura vontade, de tirar-lhe a vida, por fazer isso comigo. Esse que o mesmo fez, ensinou-me a amar. E no mais leve desejo, apeguei-me como nunca. Chega a tornar-se uma obsessão. Seria capaz de tirar-lhe a vida, e a própria, apenas para ficar contigo, o resto dos tempos. Tatuarei em meu coração, seu nome, deicharei, que esse amor, chegue até mim como nunca. Numa louca ganância de ter-lhe mais perto de mim, novamente. Embebedarei-me, de teu conforto, usurparei de ti, sem igual. Tirarei teu sangue,causarei a ti, uma morte lenta e dolorosa. Irei lhe torturar, com a mais doce sede de vingança, de um coração partido. Farei de ti, um caco. Mostrarei a ti, toda esta dor, que me agoniza, mostrarei a ti, minha solidão, que me conforta, darei-te a solidão, que grita mais alto que a razão. Mostrarei a ti, minha insanidade, que mais forte que eu, domina-me. E depois de uma longa tortura, deitarei a teu lado, os mesmos labios que um dia, tu beijaste, chupara teu sangue, como um vapiro sangue-suga. Mas no final, tudo isso me preenchera, e toda essa dor, tera um fim. Não só a dor, como, do mesmo individuo. Colocarei tudo em um envelope lacrado, e devolverei ao remetente. (Beeshop)
quarta-feira, 13 de abril de 2011
O real não se modifica.
Você vai me abandonar e eu nada posso fazer para impedir. Você é meu único laço, cordão umbilical, ponte entre o aqui de dentro e o lá de fora. Te vejo perdendo-se todos os dias entre essas coisas vivas onde não estou. Tenho medo de, dia após dia, cada vez mais não estar no que você vê. E tanto tempo terá passado, depois, que tudo se tornará cotidiano e a minha ausência não terá nenhuma importância. Serei apenas memória, alívio, enquanto agora sou uma planta carnívora exigindo a cada dia uma gota de sangue para manter-se viva.
segunda-feira, 11 de abril de 2011
A espera.
Ela existe, é longa e sempre me foge seu fim quando vejo que estou chegando perto. O território é perigoso e caminha-se em solo feito de olhos invejosos, desviando-se de mãos e braços sedentos por um empurrão que vai te fazer cair. É longe o lugar que quero chegar, e nem só de quilômetros, metros e centímetros é feito esse caminho. Complicado mesmo é suplantar esses muros sem ferir minhas pernas nessas pontas-de-lança. Mas é de cima desses muros que te vejo. E, confesso, tua contentação com teu atual estado de cárcere não condiz com a tua vontade de mudar que me é relatada toda vez que te vejo. É tua incoerência que me faz esperar. Essa espera por um lapso de mudança ou qualquer outra manifestação que me faça crer que minha e tua casas serão, um dia, a mesma.
domingo, 10 de abril de 2011
Traço diferentes objetivos de vida a cada 5 minutos.
Perde-se em algum lugar do espaço o que de mais puro eu havia guardado. Contorce-se violentamente até não caber mais em si, quebra. E eu sou assim mesmo, assumo a culpa por não saber dar a segunda chance. Por não poder, por nunca conseguir. Não lembro de ter prometido mudar. Dói saber que hoje você só faz mal, gratuitamente e propositalmente. Causa-me náuseas intermináveis, agride-me com as maiores pedras que por ventura cruzaram o teu caminho. Arranha-me a pele, machuca-me a alma. Escolhe então as mais duras palavras e as arremessa contra mim, enquanto destrói qualquer resquício de sentimento que tenha esquecido-se de morrer. Artilharia pesada, pelo simples prazer em travar uma batalha. Vai, caminha pra bem longe daqui. Dê o maior número de passos que puder sem olhar pra trás. Leva contigo toda a verdade, a mesma que você deixou escorrer por entre os teus dedos sujos de uma culpa. Nem o peso da injustiça será capaz de me parar, de me cansar, de me questionar quanto aos meus próprios valores. Nem o gosto da maquina da impunidade irá amargar os mais ensolarados dias. Não guardo mágoa, não sinto rancor. Não sinto mais nada.
sábado, 9 de abril de 2011
Quem ama de verdade sempre chora.
A vida ensina, a gente aprende. No entanto, isso não quer dizer que não devamos, às vezes, desobedecer as leis que nós mesmos criamos. Cansei de lutar contra mim mesmo, pois já me cobrem o corpo feridas em diferentes fases de cicatrização. Aqui estou, pronto para me aplicar mais algumas doses cavalares de você, se assim me permitir. E eu já não mais vivo sem essa morfina que eu batizei com o teu nome, há alguns meses atrás.
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Estou vivendo e não quero ser salvo!
Mais um dia vai, mais versos são jogados fora, tantos sentimentos abatem meu coração. Será que eu deixo toda minha mágoa transparecer e gritar todo meu ódio por você? Tudo que você me fez sofrer não é um décimo do amor que você já sentiu por mim. Todo esse gelo que te aprisiona nesse mundo de ilusões será derretido com as tuas lágrimas ao ver que estou feliz sem mais te ter aqui. Mais um dia vai, mais versos são jogados fora, tantos sentimentos abatem meu coração. Vou mostrar pra mim mesmo que assim é melhor, sem você. Talvez meu coração fique em paz, sem mais lágrimas no olhar, só sorrisos. O inverno congela nossos corações, faz com que os sentimentos se mantenham inabaláveis, eu prefiro morrer do que ter que te abraçar de novo. Eu prefiro morrer do que ter que te beijar mais uma vez. Vou mostrar pra mim mesmo que assim é melhor.
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